Os estádios fenológicos da soja representam as diferentes fases de desenvolvimento da planta, desde a emergência até a maturação dos grãos. Eles são divididos em dois períodos principais: vegetativo (V), relacionado ao crescimento da planta, e reprodutivo (R), que compreende o florescimento, a formação das vagens e o enchimento dos grãos.
Identificar corretamente cada estádio é fundamental para orientar decisões de manejo, como o monitoramento de pragas e doenças, o controle de plantas daninhas e a avaliação das necessidades nutricionais da cultura.
Neste artigo, você vai conhecer as características dos estádios fenológicos da soja, de VE a R8, entender como identificá-los no campo e descobrir os principais pontos de atenção durante o desenvolvimento da lavoura.
Quais são as fases de desenvolvimento da soja?
O desenvolvimento da soja pode ser dividido em dois momentos importantes:
- O período vegetativo (V), onde a planta está priorizando o seu crescimento e acúmulo de reservas.
- O período reprodutivo (R) onde as flores se desenvolvem e inicia-se a formação do produto de interesse: o grão.
Sem tempo para ler agora? Baixe este artigo em PDF!
Estádios vegetativos da soja: da emergência ao crescimento
O período vegetativo é subdivido e suas denominações podem ser com letras seguidas do (V) ou números.
Após a semeadura da cultivar de soja, bem como os tratos culturais necessários, como adubação potássica e o processo de embebição dessas sementes, dá-se início ao processo germinativo e ao período vegetativo, fique atento.
Estádio VE: emergência da plântula
Período de emergência da plântula, onde os cotilédones ficam acima do solo, o que a caracteriza como germinação epígea. Neste momento, a presença de pombas na área pode levar a uma redução do estande. É um período crítico também ao ataque de patógenos e pragas de solo.
Fonte: Normam Neumaier
Estádio VC: abertura dos cotilédones
Cotiledonar, onde os cotilédones se encontram totalmente desenvolvidos e completamente abertos, curvados para baixo e os bordos das folhas unifolioladas não mais se tocam. Esse período pode durar de 3 a 10 dias. Período crítico também ao ataque de patógenos e pragas de solo.
Fonte: Normam Neumaier
Estádio V1: desenvolvimento das folhas unifolioladas
Completo desenvolvimento das folhas unifolioladas e caracterizado e identificado também pelo primeiro nó.
Nesta fase, os patógenos de solo e pragas como coleópteros podem afetar o estabelecimento da cultura.
Fonte: Normam Neumaier
Estádio V2: primeira folha trifoliolada
Pode ser definido como o segundo nó ou a primeira folha trifoliolada, em que os bordos não mais se tocam. Do estádio V1 ao V2, é que se dá o início da nodulação e o processo de Fixação Biológica do Nitrogênio (FBN), portanto, neste momento deve ser observado de 4 a 8 nódulos por planta.
No estádio V2, o ataque de pragas e doenças de solo também devem ser monitorados e a partir daqui inicia-se o período de matocompetição, ou seja, plantas daninhas podem passar a competir com a soja por recursos (água, nutrientes e espaço).
Fonte: Normam Neumaier
Estádios V3 e V4 : desenvolvimento dos nós e trifólios
A planta apresenta 3 nós e a segunda folha trifoliolada já se encontra com os bordos não mais se tocando e 4 nós e a terceira folha trifoliolada, com bordos não mais se tocando, respectivamente.
Neste período compreendido entre V3 e V4, a presença de nódulos deverá aumentar onde serão observados no mínimo 10 nódulos por planta.

Estádio V5: crescimento vegetativo da planta
A planta apresenta 5 nós e, neste momento, define-se a partir de processos fisiológicos, o potencial de nós que a planta poderá ter. Cada nó será responsável por um ramo lateral, cujas vagens serão formadas, portanto, este período é importante para definição do potencial da cultura.
Estádio Vn: desenvolvimento dos nós vegetativos
Enésimo nó, este é o estádio anterior ao surgimento de flores e entrada no período reprodutivo.
Estádios reprodutivos da soja: do florescimento à maturação
Estádio R1: início do florescimento
Início do florescimento, ao menos uma flor aberta em qualquer parte da haste principal.
Fontes: Danilo Estevão e IPNI
Estádio R2: florescimento pleno
Florescimento pleno e uma flor aberta em um dos 2 últimos nós do caule, com folha completamente desenvolvida.
No período compreendido entre R1 e R2, a planta se encontra mais sensível ao ataque de insetos praga, portanto, o monitoramento deve ser constante.
A partir de R2, inicia-se a rápida acumulação de matéria seca e de nutrientes na planta, sendo este, o período recomendado para fazer a coleta de folhas para análise dos teores de nutrientes foliares e avaliação da qualidade nutricional do solo.
Fontes: Danilo Estevão e IPNI
Estádio R3: início da formação das vagens
Início do desenvolvimento das vagens, conhecido também como fase de canivetinho, onde as vagens apresentam até 5 mm de comprimento.
Este estádio é de grande importância para a definição de componentes de rendimento da planta, como número de vagens por planta. É também um período sensível às condições ambientais, onde o estresse hídrico pode causar abortamento de vagens.
Fontes: Danilo Estevão e IPNI
Estádio R4: desenvolvimento completo das vagens
Vagens completamente desenvolvidas e apresentando cerca de 2 cm de comprimento em um dos 4 últimos nós do caule, com folha completamente desenvolvida.
A partir desse estádio, até R5.5, ocorre rápida acumulação de matéria seca pelas vagens.

Fontes: Danilo Estevão e IPNI
Estádio R5: início do enchimento dos grãos
Início da formação e rápido enchimento dos grãos, onde ocorre redistribuição de matéria seca e nutrientes das partes vegetativas para os grãos.
O estádio fenológico da soja R5 é subdividido em 5 pontos, onde correspondem ao enchimento dos grãos até atingirem seu tamanho potencial. Ataques de sugadores como percevejos é um grande limitante para o potencial produtivo.
Quando os ataques são nos estádios iniciais de R5 pode não haver formação de grãos e nos estádios mais tardios de R5 poderá ocorrer a redução do tamanho e peso dos grãos. Além disso, condições de estresse também poderão reduzir o peso dos grãos.

- R5.1 – grãos perceptíveis ao tato, equivalente à 10% da granação;
- R5.2 – Granação de 11 a 25%;
- R5.3 – Granação de 26 a 50%;
- R5.4 – Granação de 51 a 75%;
- R5.5 – Granação de 76 a 100%.
Estádio R6: grãos verdes desenvolvidos
Grão verde ou vagem cheia, nesta fase o grão ocupa toda a cavidade da vagem. O rápido amarelecimento das folhas (senescência) começa após este estádio e continua acentuadamente até R8.
Fonte: IPNI
Estádio R7: início da maturação
Início da maturação fisiológica dos grãos, neste período será observado ao menos uma vagem madura, localizada na haste principal, com coloração marrom ou palha.
A maturidade ocorre quando se cessa o acúmulo de matéria seca. Nesta fase, os grãos apresentam cerca de 60% de umidade e a partir daqui à umidade tende a cair.
Fonte: IPNI
Estádio R8: maturação completa da soja
Maturidade completa: neste período 95% das vagens encontram-se maduras e serão necessários cerca de 5 a 10 dias para que a umidade atinja 15% ou menos.
Desta forma, o momento de colheita dos grãos é crucial e a umidade adequada para esta tarefa é de 13%. Colheita com umidade pouco acima desse valor pode ser considerada, devendo lembrar que os custos com secagem para posterior armazenamento serão incluídos.
Dicas importantes para o momento da colheita para evitar perdas na lavoura e qualidade do grão:
- Velocidade adequada;
- Verificar abertura do côncavo da colhedora;
- Avaliar velocidade do cilindro;
- Aferir as peneiras e velocidade do ar de ventilação;
- Regular altura de corte a fim de minimizar perdas.
Fique atento! Agora você já sabe todos os estádios fenológicos da soja, bem como as peculiaridades que podem acometer a lavoura em cada um deles.
No entanto, existem doenças, como a mancha-alvo, que podem aparecer em qualquer um desses estádios e é preciso ficar atento.
Perguntas frequentes sobre os estádios fenológicos da soja
1. Quais são os estádios fenológicos da soja?
Os estádios fenológicos da soja são divididos em vegetativos (V) e reprodutivos (R).
A fase vegetativa começa na emergência (VE), passa pela abertura dos cotilédones (VC) e segue pelos estádios V1, V2 e assim sucessivamente. A fase reprodutiva compreende os estádios R1 a R8, do início do florescimento à maturação completa.
2. Qual é a diferença entre os estádios V e R da soja?
Os estádios V descrevem o desenvolvimento vegetativo, identificado principalmente pela formação de nós e folhas.
Já os estádios R representam o desenvolvimento reprodutivo, incluindo florescimento, formação das vagens, enchimento dos grãos e maturação. Em cultivares de crescimento indeterminado, o crescimento vegetativo pode continuar após o início do florescimento.
3. Como identificar o estádio fenológico da soja no campo?
A identificação é feita pela observação de características morfológicas da planta. Nos estádios vegetativos, avaliam-se cotilédones, nós e folhas desenvolvidas. Nos reprodutivos, observam-se flores, comprimento das vagens, desenvolvimento dos grãos e coloração das vagens, seguindo os critérios de cada estádio.
4. Em qual estádio a soja começa a florescer?
O florescimento começa no estádio R1, identificado pela presença de pelo menos uma flor aberta em qualquer nó da haste principal.
O estádio R2 corresponde ao florescimento pleno, quando há uma flor aberta em um dos dois nós superiores da haste principal com folha completamente desenvolvida.
5. Por que identificar os estádios fenológicos da soja é importante?
A identificação correta permite acompanhar o desenvolvimento da cultura e adequar o monitoramento e as decisões de manejo às necessidades de cada fase. Isso contribui para avaliar riscos de estresse hídrico, pragas, doenças e competição com plantas daninhas, além de orientar práticas relacionadas à nutrição e à colheita.
Descubra os segredos da produção de grãos!
O Curso Online Agro Para Todos: Descobrindo a Produção de Grãos oferece uma formação essencial para quem deseja compreender os fundamentos da atividade, desde o ciclo das culturas até os desafios do manejo e da comercialização.
Com uma linguagem acessível e foco em aplicações práticas, você vai aprender os fundamentos da produção agrícola, desde os ciclos das culturas até o manejo de solo, controle de pragas, uso de fertilizantes e análise de custos e margens.
Clique no banner abaixo e dê o primeiro passo para construir uma base sólida na produção de grãos.








excelente informativo, gostaria de receber sobre milho e suas tecnologias.
Ótimo informativo.
Gostaria de receber informações de novas tecnologias e tratamentos da soja.
Obrigado
Olá !👋, muito obrigado pelo conteúdo postado nesse site, estava precisando aprende um pouco mais sobre o estádio fenologico da soja.